Este blog já têm 3 anos e picos, três anos parece pouco tempo quando as palavras "três anos" são ditos, parece que as palavras compactam e renegam as memórias que separam esses três anos, dos 18 aos 21, onde 2 anos houve pouco que dizer. A verdade é que nunca existe pouco que dizer, existe é a falta de tempo para o dizer, falta de interesse, múltiplas razões e desculpas. E a verdade é que em três anos muita coisa muda.
Evolução? Viagem? Que palavra escolher para definir os três anos? Evolução comporta mudança, viagem comporta fuga. Três anos a mudar e a fugir.
Estou a ficar velho, a inocência deixou de ser uma desculpa para a minha ignorância, a inexperiência transformou-se em estratégias de fuga, porque por mais evolução que numa mente se produza sempre existe algo de que fugir, dos becos que conduzem aos corpos despidos, às horas intermináveis dos livros, compostas por pó e gritos, do sol das manhãs. Os sonhos são sempre uma desculpa, os sonhos que nos agarram e nos prendem aos lençóis são sempre uma desculpa, voltamos a adormecer e quando acordamos é novamente noite, noite que convida a dormir e noite que convida à aventura, à música, a cigarros, a literatura oculta, noite que se gasta em arco-íris, em máquinas que nos aquecem as pernas. Somos novos-velhos tecnológicos, ficamos em casa pensamos no tempo em que era-mos jovens. Matar 43 terroristas é a nossa telenovela da tarde. Construímos e destruímos cidades como se fizéssemos uma colcha de lã e, como velhos, temos pena, muita pena de nós próprios.
Olhamos pela janela e percebemos a nossa tristeza, percebemos onde nos perdemos, aquilo que esquecemos, e apesar de a paisagem ser tudo aquilo que queremos mudar, ficamos. Parados, esperamos que o ditador esteja na mira, desde 5 quilómetros de distância damos um tiro de sniper, libertamos o mundo do pior assassino da história! Mas a nossa vida é o mesmo, sentados, frente à fraca luz de uma televisão, temos pena, temos sempre pena. Percebemos tudo. Não fazemos nada.
E a questão, a eterna questão quando se sabe tudo, quando se assume, quando se escreve é o que fazer a seguir? Continuar igual ou fazer algo para o mudar?
quinta-feira, 21 de Maio de 2009
quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Fazei enfim dançar a anatomia humana
Caixas de papelão caem
Caem para vos acertar na cabeça
Caem para vos despentear o cabelo
Caem para vos aleijar aqui e ali
Caem para vos mandar em maca para o hospital
As urgências enfim!
ps: As saudades corrompem as frases e transformam-nas em algo novo.
quarta-feira, 13 de Maio de 2009
4:48
Vais ficar bem. És forte. Sei que vais ficar bem porque gosto de ti e não se pode gostar de uma pessoa que não gosta de si própria. As pessoas que temo são aquelas de quem não gosto porque se odeiam tanto a si próprias que não deixam mais ninguém gostar delas. Mas gosto mesmo de ti. Vou sentir a tua falta. E sei que vais ficar bem
Sarah Kane
in 4:48Psicose
in 4:48Psicose
sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
Comprar pão
Porque choras?
De que tens pena? Qual é a razão de as tuas lágrimas correrem? Choras por quem? Por mim? Por ti?
Faço-te falta? Choras pelo quê?
Tens medo de um mundo sem mim? Tens medo de escolher? Hoje chorei porque te faço falta. Hoje choras-te porque faço-te falta.
Sente saudades, sente as saudades que eu tenho de te ter ao meu lado. Tenho pena. Tens pena. Encontra um caminho, encontra uma razão para viver, encontra um raio de luz que te faça ser bonita.
Esboça um sorriso, vai comprar o pão, esboça um sorriso, encontra a perfeição na tua cara. Hoje estavas linda, estavas linda e não te disse nada, estavas linda e eu fui um espectador.
Esboça um sorriso, torno-me vaidoso, pinto os lábios de cor-de-rosa porque sei que me fica mal essa cor, esboça um sorriso, vai comprar pão para poder-mos almoçar juntos.
Porque é que tão poucas vezes vi o teu sorriso? Eras feliz?
Esboça um sorriso, quero lembrar-me dele, quero lembrar-me da tua voz, se de noite não chorar por nunca mais ver o teu sorriso é porque fujo das lágrimas.
Os cobardes fogem das lágrimas, quando te sentir a falta voltarei a chorar, esboçarei um sorriso e vou.
Não ofereças objectos ao teu filho, não lhe ofereças uma casa fechada, ele não vai acreditar que o mundo é bonito, ele não vai acreditar nas princesas nem nos príncipes, oferece-lhe palavras, ele vai acreditar em ti. Ele vai sempre acreditar em ti.
Não queiras mudar de nome, não queiras pedir desculpa a Deus, pede-te desculpa a ti, desculpa-te, aceita-te, encontra a perfeição que a tua cara cria. Não queiras ser um homem, não queiras ser uma mulher, não encontres desculpas para ter pena de ti, encontra a perfeição que a tua cara cria. Não tenhas medo de ver a morte todos os dias no espelho, ela nunca te tornou mais feia, aceita-te, desculpa-te.
Chora-mos os dois juntos, encontra uma rotina, eu encontro um quarto fechado.
Não queira mudar de nome, não queiras ser cobarde, não queiras vestir de preto. Veste-te de cores, encontra uma saia bonita, não tenhas medo de ter pernas feias, esboça um sorriso.
Tu sempre serás bonita.
De que tens pena? Qual é a razão de as tuas lágrimas correrem? Choras por quem? Por mim? Por ti?
Faço-te falta? Choras pelo quê?
Tens medo de um mundo sem mim? Tens medo de escolher? Hoje chorei porque te faço falta. Hoje choras-te porque faço-te falta.
Sente saudades, sente as saudades que eu tenho de te ter ao meu lado. Tenho pena. Tens pena. Encontra um caminho, encontra uma razão para viver, encontra um raio de luz que te faça ser bonita.
Esboça um sorriso, vai comprar o pão, esboça um sorriso, encontra a perfeição na tua cara. Hoje estavas linda, estavas linda e não te disse nada, estavas linda e eu fui um espectador.
Esboça um sorriso, torno-me vaidoso, pinto os lábios de cor-de-rosa porque sei que me fica mal essa cor, esboça um sorriso, vai comprar pão para poder-mos almoçar juntos.
Porque é que tão poucas vezes vi o teu sorriso? Eras feliz?
Esboça um sorriso, quero lembrar-me dele, quero lembrar-me da tua voz, se de noite não chorar por nunca mais ver o teu sorriso é porque fujo das lágrimas.
Os cobardes fogem das lágrimas, quando te sentir a falta voltarei a chorar, esboçarei um sorriso e vou.
Não ofereças objectos ao teu filho, não lhe ofereças uma casa fechada, ele não vai acreditar que o mundo é bonito, ele não vai acreditar nas princesas nem nos príncipes, oferece-lhe palavras, ele vai acreditar em ti. Ele vai sempre acreditar em ti.
Não queiras mudar de nome, não queiras pedir desculpa a Deus, pede-te desculpa a ti, desculpa-te, aceita-te, encontra a perfeição que a tua cara cria. Não queiras ser um homem, não queiras ser uma mulher, não encontres desculpas para ter pena de ti, encontra a perfeição que a tua cara cria. Não tenhas medo de ver a morte todos os dias no espelho, ela nunca te tornou mais feia, aceita-te, desculpa-te.
Chora-mos os dois juntos, encontra uma rotina, eu encontro um quarto fechado.
Não queira mudar de nome, não queiras ser cobarde, não queiras vestir de preto. Veste-te de cores, encontra uma saia bonita, não tenhas medo de ter pernas feias, esboça um sorriso.
Tu sempre serás bonita.
quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009
Revolução do Youtube
Isto é uma sms desnecessária a dizer que hoje lembrei-me de actualizar o sector musicas e tirar as letras e pôr os vídeos, o mal disto é:
1. A qualidade...
2. Alguns vídeos nem vídeos são (caso de Toranja e Ladytron);
3. Alguns vídeos são fuleiros (caso de Fangoria, adoro o grupo. a música, a vocalista, mas video-clip tá mal feito... Uma taça de gelado não voa daquela forma! Uma taça de gelado voaria em direcção à loira que estava a comer o rapaz que o outro gostava, depois o "mutante" tapava os olhos, saía a correr... Mas não aconteceu, o que leva a uma questão fundamental: se o rapaz de branco e blusa azul-transparente gosta é do mutante porque é que ele anda a comer a loira jeitosa? Pensem nisso e vamos fazer uma telenovela a partir deste videoclip)
E termino por aqui que estou a ficar sem bateria no telemóvel.
FUI!
1. A qualidade...
2. Alguns vídeos nem vídeos são (caso de Toranja e Ladytron);
3. Alguns vídeos são fuleiros (caso de Fangoria, adoro o grupo. a música, a vocalista, mas video-clip tá mal feito... Uma taça de gelado não voa daquela forma! Uma taça de gelado voaria em direcção à loira que estava a comer o rapaz que o outro gostava, depois o "mutante" tapava os olhos, saía a correr... Mas não aconteceu, o que leva a uma questão fundamental: se o rapaz de branco e blusa azul-transparente gosta é do mutante porque é que ele anda a comer a loira jeitosa? Pensem nisso e vamos fazer uma telenovela a partir deste videoclip)
E termino por aqui que estou a ficar sem bateria no telemóvel.
FUI!
quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
domingo, 11 de Janeiro de 2009
Hoje quero imaginar
Hoje quero imaginar que te vejo morto, morto no mesmo local onde tantas vezes a minha memória volta. Imagino o teu corpo esquecido no meio de um descampado, imagino uma árvore morta a proteger os teus olhos mortos da luz, o vento a lentamente cobrir o teu corpo com terra e lixo, gostava de ser parte da paisagem e de cuspir-te na cara até não ter saliva, eternamente estar presente a observar-te, um corpo grotesco e desfigurado pelo rancor, pelo nojo que o teu silêncio me faz sentir.
Hoje imagino aquele vão de escadas, imagino-me a sair da parede como se fosse uma figura de pedra, imagino o teu corpo lá em baixo estendido no meio do chão, imagino o teu sorriso despedaçado em sangue e dentes, imagino os teus pés despidos, as tuas calças sujas de esperma e pó, os teus braços junto ao corpo, o teu corpo pequeno, o teu corpo triste.
Hoje quero imaginar que estás morto, mas ao imaginar-te o meu corpo é sempre um corpo desfigurado, um corpo mutilado, um corpo tão desprezível como o teu.
Hoje não te vou imaginar morto, hoje vou-te imaginar longe, vou-me imaginar neste jardim infinito, onde crescem as árvores, onde dormem os animais e onde cidades feitas de luz mudam de cor de 5 em 5 minutos, esta noite quero estar lá, dormir nessas salas onde a luz se apaga quando fecho os olhos.
Hoje ao acordar gostava de te esquecer, de nunca mais regressar a aquela árvore, a aquele vão de escadas.
Hoje ao acordar gostava de ver a tua cara e de não ter nojo, simplesmente nada...
Hoje imagino aquele vão de escadas, imagino-me a sair da parede como se fosse uma figura de pedra, imagino o teu corpo lá em baixo estendido no meio do chão, imagino o teu sorriso despedaçado em sangue e dentes, imagino os teus pés despidos, as tuas calças sujas de esperma e pó, os teus braços junto ao corpo, o teu corpo pequeno, o teu corpo triste.
Hoje quero imaginar que estás morto, mas ao imaginar-te o meu corpo é sempre um corpo desfigurado, um corpo mutilado, um corpo tão desprezível como o teu.
Hoje não te vou imaginar morto, hoje vou-te imaginar longe, vou-me imaginar neste jardim infinito, onde crescem as árvores, onde dormem os animais e onde cidades feitas de luz mudam de cor de 5 em 5 minutos, esta noite quero estar lá, dormir nessas salas onde a luz se apaga quando fecho os olhos.
Hoje ao acordar gostava de te esquecer, de nunca mais regressar a aquela árvore, a aquele vão de escadas.
Hoje ao acordar gostava de ver a tua cara e de não ter nojo, simplesmente nada...
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